A DPP, Data Prevista de Parto, é considerada um dos fatores de sucesso para um parto positivo pelo Hypnobirthing. Vamos perceber a razão pela qual influencia a experiência de parto.
Porquê? Porque pode ser um fator de stress que queremos evitar. Todos temos uma DPP, mas o que é que prova que é a DATA CERTA? – É calculada sobre a data do último período, assumindo que todas as mulheres têm ciclos de 28 dias, mas quantas têm?
-Em Portugal é de 40 semanas, em França de 41 França, no Kenya de 43 por exemplo…
Mensagem de um Pai Hypnobirthing
-A Organização Mundial da Saúde assume-a entre as 37 e as 42 semanas.
Na realidade a data prevista de parto não passa de uma previsão e serve como indicação, no entanto pode converter-se quase numa Dead Line quando é comunicada a terceiros. Os familiares e amigos começam a “bombardear” com telefonemas, mensagens e chamadas constantes a perguntar se está quase e pior… a dar conselhos para ajudar. Ora, se no Hypnobirthing, queremos uma mãe tranquila e sem qualquer tensão que prejudique a produção das hormonas “boas”, nada disto ajuda o processo.
Este é um tema que é abordado logo na primeira sessão de Hypnobirthing. Uns pais seguem as indicações que lhes são dadas … outros não, mas todos são informados das possíveis consequências e de como evitar esta situação.
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram
Artigo publicado na revista Progredir em Setembro de 2019.
Dando os primeiros passos no nosso país, o Hypnobirthing já é bastante comum e reconhecido noutros sítios.
No entanto, em Portugal ainda poucos conhecem os benefícios deste método. E é pena pois ele muda completamente a vida da grávida, tornando o nascimento numa experiência poderosa e harmoniosa.
Acompanhamento para o parto
O Hypnobirthing é um programa de preparação para o nascimento, assente nas mais recentes evidências científicas. Vários estudos demonstram que permite um parto mais rápido, com menos dor, menor intervenção médica e, consequentemente, menos ajuda instrumental e farmacológica.
Quando a mulher engravida, as crenças sobre o parto, o receio do desconhecido e um ambiente de gravidez inadequado, geram uma mensagem inconsciente de possível ameaça. Todos estamos programados para a sobrevivência humana há milénios de anos. Então, perante uma possível ameaça, respondemos instintivamente com o instinto de sobrevivência.
Assim, na hora do parto, a maioria das mulheres entra em “modo de sobrevivência”. Este modo dá origem a alterações físicas no fluxo sanguíneo, na respiração, na tensão muscular… E aumenta a produção de Adrenalina. E tudo isto acontece de forma totalmente involuntária, sendo altamente improdutivo no nascimento.
Ocitocina
Por outro lado, o trabalho de parto progride com uma hormona chamada Ocitocina, fundamental para o bom desenvolvimento do nascimento. Para produzir Ocitocina a mãe deve estar tranquila. Portanto, se está em tensão, não a produz na quantidade necessária para o bom desenvolvimento do parto. Assim, é importante saber que a produção de Ocitocina é inibida pela Adrenalina porque não consegue produzir ambas ao mesmo tempo.
Durante o parto, os músculos do útero estão em plena atividade. Tal como qualquer outro músculo, precisam de hidratação, energia, e boa irrigação sanguínea. Ora, o “modo de sobrevivência” provoca exatamente o resultado oposto e torna os músculos tensos e com pouca irrigação, cansando-se mais facilmente e criando desconforto físico.
Dor-Tensão- Dor
Um
exemplo: experimente, abrir e fechar a mão várias vezes com o braço e a mão
muito esticados e tensos e observe o desconforto. Faça agora o mesmo exercício
com o braço e a mão descontraídos e perceba a diferença entre um trabalho
muscular em tensão ou em relaxamento.
Por isso, este é um dos pontos mais trabalhados no Hypnobirthing: evitar que mãe ative o seu sistema de sobrevivência com um conjunto de técnicas que usa nas várias fases do parto. Então, eliminando a tensão que provoca as alterações hormonais improdutivas, o parto torna-se obviamente mais rápido e mais confortável.
O pai também é preparado e é um dos fatores de sucesso do método. Nesse sentido, mãe, bebé e pai trabalham em equipa e, independentemente da forma como decorre o nascimento, saberão agir em qualquer circunstância.
Parto não tem de ser associado a sofrimento
Esta é uma explicação muito sucinta e há muito mais para
dizer sobre este método fantástico. Poderá obter mais informações no site
Hypnobirthing7 e conhecer as várias opções de acompanhamento, presencial ou á
distância.
Em jeito de conclusão, num mundo ideal, gostaria que todos soubessem que o parto não tem de trazer sofrimento associado.
Acredite que, com preparação, é possível ter uma experiência poderosa em vez de dolorosa.
Porque cada viagem de nascimento é única e, independentemente do tipo de parto, o Hypnobirthing permite realmente uma vivência harmoniosa. E é essa a memória que ficará para sempre.
Num parto por Hypnobirthing, o papel do pai ou parceiro de nascimento é fundamental para um nascimento harmonioso. Aqui ficam algumas dicas para preparar o pai para o parto:
1 – Acordar antecipadamente o que a mãe gostaria que faça (e NÃO faça) durante o parto. Assim, analisem em conjunto o plano de parto. Isto permite entender o que a mãe quer, e não quer, em termos de intervenção e alívio da dor.
2 – Fale sobre qualquer medo ou preocupação que tenha sobre o nascimento, ou com a sua companheira ou com um amigo. Certamente, depois de abordar as suas preocupações, estará mais tranquilo para o parto.
3 – Durante a parte mais séria do trabalho de parto, crie e mantenha o ambiente certo. Minimize os estímulos sensoriais ( luzes, pessoas, barulhos). Quanto menos estímulos a mãe tiver, melhor a mãe poderá relaxar e focar-se.
Proteção, respiração, movimento
4 – Evite que a mãe se sinta observada. Porque, quando se sente observada é mais difícil relaxar completamente (imagine como se sentiria tendo alguém presente quando vai à casa de banho por exemplo).5 – Incentive-a a respirar calma e ritmicamente em cada onda uterina
6 – Ajude-a no processo de visualização entre as contrações dizendo frases simples. Relembre-a de memórias felizes ou lugares que visitaram… Este ajuda deve ser discutida com antecedência para que seja de comum acordo
7 – Incentive-a a movimentar-se e encontrar posições confortáveis. Se ela gostar e tiver sido combinado, faça-lheuma massagem nas costas e na cabeça (se ela lhe pedir, pare, e não se ofenda!)
Presente com subtileza
8 – Não lhe faça muitas perguntas. Tente perceber ou antecipar o que quer, por exemplo, dê-lhe água, em vez de perguntar se ela quer beber alguma coisa.
9 – Esteja totalmente presente para a ouvir e apoiar – Não a julgue nem leve nada a mal. É natural que a mãe possa agir de forma estranha ou dizer coisas que normalmente não diria.
Confiança e assertividade
10- Esteja confiante e seja assertivo com a equipe médica, você é o porta-voz da sua companheira e tem o direito a pedir o que é importante para ela.
11 – Se a mãe começar a duvidar de si mesma, continue a incentivá-la ainda mais, dizendo que confia nela e que já falta pouco para conhecerem o vosso bebé.
12 – Beba bastantes líquidos e coma bem para manter a sua própria força, a sua companheira precisa de si em forma
E, sobretudo, demonstre-lhe todo o seu amor e confiança!
As hormonas podem ajudar ou prejudicar fortemente o trabalho de parto. Saber gerir a produção de hormonas benéficas é o segredo para um parto mais confortável. Conheça o papel das hormonas e prepare-se para um parto mais confortável.
Apresento-vos 2 hormonas importantes para o parto:
A Ocitocina
Esta é a hormona responsável pelas ondas uterinas (contrações). É chamada a hormona do amor e do bem-estar porque a produzimos sempre que nos sentimos felizes. E esta é a principal responsável por um parto tranquilo e confortável.
A Ocitocina leva ao bom desenvolvimento de todo o processo de nascimento. E veja, o corpo humano é tão maravilhoso que associa ao parto à produção desta hormona (e de outras). Tudo isto para que este momento seja vivenciado como um momento de prazer. Recordo que a mulher chega a atingir os níveis mais altos de produção de Ocitocina em toda a sua vida, no período do parto.
Muito importante: quando produzimos Adrenalina não conseguimos produzir Ocitocina. Assim, ou produzimos uma ou outra mas nunca as duas. E é esta gestão entre a produção de Adrenalina/Ocitocina que ajuda ou prejudica o parto.
No Hypnobirthing, a mãe prepara-se com técnicas que a ajudam a evitar a libertação de Adranalina e a manter-se sempre tranquila para potenciar a produção de Ocitocina. Esta é um dos pontos que torna o Hypnobirthing tão eficaz: a mãe usa a mente para “gerir” a produção de hormonas para evitar a tensão e aumentar o conforto no parto.
Não vê nenhum mamífero a dar à luz exposto, agitado e no meio de confusão. E afinal, não somos todos mamíferos?Analisemos então o parto no mundo animal.
Um dos exercícios que peço ás famílias que acompanho é observar o nascimento de um mamífero, qualquer um. Isto, para que percebam que todos os mamíferos têm as mesmas necessidades básicas durante o nascimento:
– Segurança (sentir-se protegido) – Intimidade (estar resguardado e não ser observado) – Tranquilidade
Por exemplo, no caso dos cães e dos gatos, até pode montar uma caminha confortável, para que tenham lá os seus filhotes. No entanto, o mais provável, é que os tenham debaixo da cama ou de uma mesa. Ou até atrás da porta. Ou seja, em qualquer sítio onde se sintam protegidos e escondidos.
Nas quintas, pode estar tudo preparado para o nascimento de um bezerro, mas ele nasce quando o dono faz uma pausa para tomar café.
Afinal, não somos todos mamíferos?
Outro aspeto interessante é que não vê nenhum mamífero a dar à luz em aflição ou stress. Por norma, estão sempre recolhidos, escondidos, concentrados e a seguir o seu instinto, pois não frequentaram nenhum curso e ninguém os ensinou a dar à luz. Isso, porque eles sabem, instintivamente, o que fazer.
E afinal, não somos todos mamíferos?
Os humanos também têm instintos e foram programados para saber dar à luz. Infelizmente, alimentamos e trabalhamos a parte consciente e racional da nossa mente, esquecendo-nos da parte mais animal onde estão os instintos. Na maioria das vezes, pomos em causa e duvidamos da nossa capacidade inata de dar a luz quando essa capacidade nasceu connosco, com milénios de evolução da raça. É importante valorizar os instintos porque são um recurso valiosíssimo para o nascimento.
As mesmas necessidades dos restantes mamíferos.
As mães têm as mesmas necessidades dos restantes mamíferos e também procuram, instintivamente, um local onde se sintam seguras e pouco observadas. E isto pode fazer a diferença entre um nascimento rápido e lento. Dar à luz é um ato que requer privacidade. Imagine ser observada enquanto vai à casa de banho, por exemplo. Iria sentir-se descontraída e à vontade? Ou quando está a fazer amor? Claro que não.
Por todas estas razões, o ambiente é importantíssimo para o bom desenvolvimento do nascimento.
Tal como acontece com os restantes mamíferos, é crucial criar este ambiente tranquilo para a mãe porque quando não estamos totalmente confortáveis, o corpo fica em alerta. Muitas pessoas ficam obstipadas quando viajam ou nem conseguem dormir descansados na primeira noite num hotel, por exemplo. Sempre que nos encontramos num ambiente estranho somos afetados pelo stress, seja num nível elevado ou apenas uma ligeira tensão.
Desta forma, é necessário evitar e minimizar ao máximo o stress provocado por ambientes desconhecidos e ajustar o ambiente para o nascimento.
Percebe agora a importância do ambiente onde a mãe se prepara para a vinda do seu bebé? Recorde-se que é imprescindível que se sinta protegida, resguardada e em segurança para que tudo aconteça naturalmente e comodamente.
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram
A escolha das palavras certas têm um forte impacto na gravidez e no parto. Isto porque as palavras têm um efeito direto sobre a mente e, consequentemente, sobre o corpo. Por isso é tão importante adaptar a linguagem á gravidez e parto.
“As palavras são a droga mais poderosa da humanidade” já dizia Kipling. Efetivamente, as palavras têm um efeito direto sobre a mente e, consequentemente, sobre o corpo. Isto, porque o corpo não faz nada sem um comando da mente. E, por isso se diz que “a mente manda e o corpo obedece”.
Vejamos alguns exemplos do dia a dia. Por exemplo, quando alguém que nos diz algo que nos envergonha, coramos…
Ou algo a que achamos graça a algo, rimos…
Ou ainda algo que nos repugna, ficamos enjoados…
Reflexos involuntários
Todas estas respostas corporais são reflexos involuntários do corpo. Isto porque não é possível dar uma ordem para corar ou enjoar. São reflexos conseguidos apenas com palavras. E o parto também é uma ação involuntária do corpo. Assim, certas palavras podem ajudar ou prejudicar todo o processo, devido ao efeito que provocam no corpo.
No entanto, na gravidez e no parto, a linguagem tende a ser negativa e usam-se termos medicalizados e geradores de tensão. Muitas vezes, a gravidez é tratada como uma doença, que não é… Por exemplo: gravidez de baixo risco, gravidez de alto risco, posição correta, posição incorreta, contrações, dores de parto, dilatação, expulsão… Todas estas palavras provocam tensão involuntária e não ajudam em nada o processo de nascimento.
Escolha as palavras certas
Na preparação por Hypnobirthing, as palavras são utilizadas para ajudar e cada palavra é escolhida de acordo com os sentimentos que gera e às reações que provoca no corpo. Não há palavras proibidas, até porque são inevitáveis no dia a dia, há um trabalho em re-significar as emoções provocadas por algumas palavras usadas regularmente.
Mesmo quem não faz Hypnobirthing pode dar mais importância ao poder das palavras e utilizar, sempre que possível, palavras que promovam a tranquilidade e bem estar. Por exemplo, em vez da palavra “contração” use a expressão “onda uterina”. Em vez de falar de dores, fale de desconforto…
É fácil e parece algo simples mas faz toda a diferença, acredite
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram
A época do pós-parto pode ser um dos momento mais desafiadores da vida de um casal. Talvez mais ainda de que o próprio parto. Aconselho todas as famílias a definir um Plano de Pós-Parto para ajudar neste grande desafio.
O plano de Pós-Parto é uma das principais ferramentas para ajudar a lidar com este desafio. Isto porque estar organizada, torna mais fácil viver este período com tranquilidade e harmonia.
Algumas dicas para um Plano Pós-Parto
Quem é a sua equipa Pós-Parto? Identifique todas as pessoas com quem pode contar para este período do pós- Parto. Liste todas as pessoas a quem pode recorrer ou consultar em caso de dúvida ou dificuldade com o bebé e recuperação física da mãe. Por exemplo o médico, enfermeira, doula , centro de parto, mãe, sogra, familiar…
Quais são suas principais responsabilidades e como as pode delegar ou preparar com antecedência? Liste quem tem disponibilidade e ficaria feliz por ajudá-la nestas tarefas.
Quem pode e sabe cuidar dos seus filhos durante este tempo ou ajudá-la a cuidar do seu bebê enquanto descansa? Que atividades e ajudas estão previstas para as outras crianças, para que possa descansar quando precisa?
Quem pode ficar responsável por ir às compras (com que frequência, supermercado e tipo de compras. Podem ser várias pessoas desde que planeado e cada uma sabendo o que lhe compete fazer.
E também quem ficaria feliz por cozinhar ou trazer a comida pronta? De quantas refeições por semana precisa para a sua casa funcionar sem si? Quais os alimentos e pratos que gosta de comer? Quais os lanches que mais aprecia? Que pratos gostaria de ter congeladas e prontos a consumir? Quem os poderia confecionar para si? Quais os restaurantes da sua zona de que gosta mais e onde se pode ir buscar comida. Faça uma lista com contactos e menus dos restaurantes que entregam em casa na sua zona
Aceita visitas logo nos primeiros dias após o nascimento? Se aceita, quanto tempo depois do nascimento gostaria de receber visitas? Há alguma pessoa que a deixe desconfortável e que quer evitar que a visite nos primeiros tempos (ou sempre)? Quais as regras que gostaria que as visitas respeitassem (horários, toque no bebé…)
O que a aclama quando está em stress? O que a ajuda a sentir-se mais forte e bem-disposta? Qual a dificuldade em pedir ajuda ao seu companheiro? Qual a forma/código que pode usar com o seu companheiro para pedir ajuda indiretamente.
Que práticas de cura gostaria de ter no pós-parto?
Como se vai instalar em casa fisicamente para se sentir segura e apoiada (quarto, sala…) Verifique se tem todo o material preparado para o bebé ( apoio à amamentação, fraldas, toalhitas…) Verifique se tem todo o material de apoio à recuperação da mãe (pensos, cinta, resguardos…)
E agora que tem tudo organizado, desfrute deste maravilhoso tempo de conhecimento e partilha!
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram