Numa altura de incerteza como esta, é fundamental cuidar da saúde emocional da grávida enquanto gera o seu bebé.Principalmente em tempos de pandemia, passa a ser uma prioridade.
Neste contexto de incerteza, é natural que a tensão e ansiedade da grávida dispare. E a forma como vive a sua gravidez pode refletir-se no desenvolvimento do seu bebé e no desfecho da própria gravidez. Cada pensamento produz uma emoção e reação no seu corpo. Tudo isto afeta o seu sistema nervoso, endócrino e imunitário.
Recorde-se que cada pensamento produz uma emoção e cada emoção produz uma reação no corpo e afeta o seu sistema nervoso, endócrino e imunitário.
Por essa razão, hoje, mais de que nunca, é fundamental que se proteja a ela a ao bebé, aprendendo a cuidar da sua saúde emocional enquanto gera o seu bebé.
Por exemplo, sob stress e ansiedade produz mais Adrenalina e Cortisol. Em contrapartida quando está calma produz mais Ocitocina e Endorfinas.
Quando se cuida emocionalmente encontra mais paz e serenidade e tudo flui melhor. Além disso, também se reflete no aspeto físico, com uma imunidade melhorada e saúde fortalecida.
Este serviço é gratuito e pode ser feito em de qualquer parte do país.
Partilhe com outras grávidas e não tenha receio, nem vergonha, de pedir ajuda.
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram
Costumo dizer que o Hypnobirthing, ou Hipnoparto em português, funciona sempre. No entanto não é ideal para as mulheres grávidas.
E porquê? Porque requer compromisso, trabalho, aprendizagem e treino. Porque leva tempo e é necessário dedicação, tal como qualquer objetivo que queira atingir na vida.
E nem todas as grávidas têm este tempo. E nem todas as grávidas querem assumir o controle e poder do seu parto. E está tudo certo pois cada mulher é única e tem as suas próprias motivações e desejos.
Um exemplo: já reparou que a maioria das mães, quando falam do parto usam a terceira pessoa?
– “fizeram-me” – “decidiram” – “deram-me” – “levaram-me” Raramente dizem: “fiz” ou “fizemos”, “levei”, “fui”, “decidi” ou “decidimos”.
A mãe preparada por Hypnobirthing, diz: “decidi”, “fiz”, “tomamos esta decisão em conjunto com o médico”, por exemplo.
É o seu corpo, o seu parto e o seu bebé. Então, porque é que a mulher nem sempre tem o papel principal no nascimento?
Porque a educação, aliada à medicalização do parto, faz com que muitas mulheres adotem um papel passivo.
E por que razão tomam este papel passivo?
Principalmente porque, deixando o feminismo de lado, crescemos numa sociedade patriarcal. Fomos educadas para obedecer e respeitar a autoridade e não a questionar. Isto aconteceu ao longo de toda a vida, na escola, no trabalho e em sociedade. Como considera o médico ou o pessoal hospitalar figuras de autoridade, é natural que, durante o parto, tome, inconscientemente, esta atitude submissa de paciente. Na maioria das vezes, irá fazê-lo sem pensar, mas outras vezes será apenas para evitar problema. E também por ter algum receio em não ser tão bem tratada se assumir outro papel.
É natural que pense: “Sim, está bem, mas os médicos é que sabem!” ou “O que é que vão pensar de mim?” ou até “E se alguma coisa corre mal?”. Claro que os profissionais sabem o que estão a fazer, mas é importante que os pais se sintam envolvidos nas decisões e em todas as opções, além de que é um direito que é deles por lei.
Questionar para entender
Questionar e querer ser envolvida, não significa que não aceite os procedimentos. Significa que, para os aceitar, têm de lhe fazer sentido. É perfeitamente legítimo querer saber mais antes de concordar com algo que lhe seja proposto.
No caso do parto, ainda muitas mulheres desconhecem que não lhes podem fazer absolutamente nada, sem o seu consentimento. Assim, quando tomam uma atitude de obediência e submissão correm o risco de prejudicar a experiência de parto, pois sentem que não têm controlo e não se envolvem no processo.
Reclame o seu papel de protagonista
Pode, e deve, reclamar o seu papel principal e assumir o controlo do seu próprio parto. Tem o direito à decisão. Pode fazer perguntas que poderão mudar totalmente o rumo do parto e que terão um impacto enorme na experiência que marcará a sua vida e a maternidade.
Que fique claro que isto não é nenhum incentivo para ir contra as indicações médicas, muito pelo contrário.
É apenas uma chamada de atenção para que saiba os seus direitos e tome consciência de que a sua proatividade. E isto influenciará toda a gravidez e experiência de nascimento.
Uma mãe Hypnobirthing abraça o seu nascimento com confiança, porque está informada e tem todo o conhecimento. Só conhecendo todos os elementos pode tomar decisões conscientes ao longo de todo o processo.
Na formação abordamos temas que poderá achar desnecessários, mas que permitirão que se sinta informada e confiante. Irá, inclusive, aprender um método que a ajuda em todo o processo de tomada de decisões e será muito útil sempre que tem alguma dúvida, ou desconhece algum procedimento.
Informação, a principal ferramenta dum parto positivo
Partimos da premissa de que se estiver informada, terá a confiança necessária para saber tomar as melhores decisões. Por essa razão, a formação completa de Hypnobirthing está desenhada para informar os pais de todos os cenários possíveis. Assim, sentir-se-ão confiantes em todo o processo, independentemente do rumo do parto.
A informação é o primeiro pilar para obter confiança. Uma mãe Hypnobirthing aprende, estuda e percebe todo o processo, estando preparada para todas as eventualidades. É um processo que requer aprendizagem, trabalho e entrega e essa é uma das razões pela qual não é para todas as mulheres. E está tudo bem!
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram
Sim, pode parecer estranho, mas acontece. Uma terapeuta também chora quando nasce um bebé.
A terapeuta é a voz que explica, que conforta, que está sempre lá, firme e confiante.
É a pessoa que escuta, que pergunta, que quer saber como se sente. Com genuíno interesse e sem qualquer julgamento.
A terapeuta interessa-se realmente por conhecer a grávida, o pai, aquela família em particular. Não é mais um acompanhamento, é O acompanhamento!
Sempre que trabalha com uma nova família, também ela se liga aquele bebé que ainda não nasceu. Aquela mãe que está com medo e aquele pai que quer ajudar e, por vezes, não sabe como.
Acompanha-os com todo o amor e acaba por se sentir parte desta família.
Assim, quando recebe uma fotografia com o bebé recém-nascido e lê uma mensagem de agradecimento, como resultado do seu trabalho, a terapeuta também chora.
Sim, chora muitas vezes…
E ainda bem porque, de cada vez que chora, sente que ganhou mais um membro na sua grande famíliado coração.
E por isso digo sempre na minha apresentação que sou avó de muitos “ netinhos de coração” e, acreditem que representam algumas lágrimas que escorreram para o meu sorriso quando recebi a notícia.
E sou abençoada por poder fazer este “trabalho” e por receber tanto carinho de todas estas famílias.
Uma terapeuta também chora, sim Eu choro, sim… e ainda bem❣️
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram
O silêncio é fundamental quando está a decorrer um parto. Porquê?
Porque silencia o Neocórtex, a parte do cérebro mais racional que está ligada ao intelecto e à linguagem. O Neocórtex, entre as várias funções que desempenha, é o responsável por recolher a informação, analisar, racionalizar, avaliar e criar todo o tipo de cenários.
Posto isso, é esta a parte que irá ativar o Sistema de Sobrevivência que prejudica o bom desenvolvimento do parto. Recorde-se que é bastante comum e habitual a grávida estar com algum medo do parto e, quando este processo acontece, pode haver uma alteração na produção de hormonas e um desvio no curso do nascimento, tornando-o mais duro e diferente do que está previsto pela natureza.
Na sociedade atual, damos mais importância e usamos mais a parte racional do que a parte animal do cérebro. Assim, nem sempre é fácil silenciar o Neocórtex. No entanto, é fundamental que perceba a importância do silencio para deixar a sua parte mais animal liderar o nascimento.
O obstetra francês Michel Odent afirma que a mãe, apenas necessita de 3 condições para dar à luz: silêncio, sossego e sentir-se protegida.
Quando a mãe está relaxada, as hormonas fluem e o parto decorre mais rapidamente e mais tranquilamente.
Recordo-lhe que somos o único mamífero que duvida da sua capacidade de parir. As crenças e medos podem afetar o corpo e a produção de hormonas. Assim, o nascimento fluirá melhor quando conseguir deixar-se levar, com confiança em si e na sua equipa de nascimento, silenciando a sua parte racional (Neocortex).
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Acontece-lhe, conforme a gravidez vai avançando, sentir também a ansiedade a aumentar? Um certo grau de preocupação é normal durante a gravidez. No entanto, é prejudicial se este stress se transforma em ansiedade extrema. Este estado tem efeitos negativos comprovados, tanto no comportamento fetal como nos resultados obstétricos e neonatais.Assim, solte-se e liberte-se da ansiedade Pré-Parto!
Siga estes 7 passos para encontar a calma e ficar mais relaxada libertando-se da ansiedade do final da gravidez e ajudar o parto:
1- Escute o seu corpo
O final de gravidez é um trabalho árduo e é uma prioridade cuidar de si e ouvir sempre o seu corpo que lhe dá todas as indicações de que precisa. Afinal, a gravidez traz um desejo irresistível de dormir e alguma letargia, e é natural ter necessidade de abrandar ou descansar. Assim, aceite esta necessidade e torne o descanso e relaxamento numa prioridade. Reserve diariamente um tempo para parar, relaxar e ouvir o seu corpo. Acredite que esta prática é fundamental para o seu bem-estar e o do seu bebé.
2- Concentre-se no que pode alterar
Evite preocupar-se com todas as variáveis que não controla tal como a posição da placenta, a posição do bebé etc. Embora a preocupação seja perfeitamente normal, coloque a sua energia no que pode controlar ou alterar. Por exemplo, a alimentação, o exercício, descanso, meditação, momentos de felicidade… Concentre-se em ser positiva, esta atitude dará à sua mente a sensação de controle e ajuda-a a permanecer calma e focada nos aspetos positivos da gravidez.
3- Mantenha-se ativa
Movimente-se, ande, faça exercícios que lhe dão prazer e ajudam a que se mantenha com energia. Até porque andar, fazer exercícios leves de que gosta libertam hormonas que a ajudam a estar mais calma e manter a energia, reduzindo eventuais complicações gestacionais.
4- Concentre-se no seu bebé
Conecte-se com este pequeno ser que está ligado a si tanto fisicamente como emocionalmente. Faça atividades concentrada no seu bebé. Ouça musica com ele, fale com ele, passeie com ele. Sinta-o como se já estivesse no seu colo e vá-lhe dizendo tudo o que sente e espera dele. Dedique-lhe tarefas tal como preparar as roupinhas ou preparar o quarto. Tudo isto traze-lhe uma sensação de prazer e dá mais significado a esta fase da gravidez.
5- Envolva o parceiro
A gravidez pode tornar-se cansativa e partilhar a experiência com o parceiro alivia a ansiedade e traz-lhe mais calma. Reserve um tempo para estar com o seu parceiro e relaxar. Pode ser através de uma conversa, momentos de namoro, massagens, relaxamento, meditação… Partilhem momentos especiais que os ajudarão a preparar-se para ser uma equipa unidade preparada para a parentalidade.
6- Medite e visualize o seu parto “ideal”
Guarde este tempo para si, pare uns minutos, feche os olhos, respire profundamente e imagine-se num sítio bem bonito e tranquilo (a sua praia favorita, o campo, um jardim…) com todos os pormenores. Nesse local, imagine um ecran de cinema onde vai “ver” o seu parto. Imagine-se no dia do parto e visualize o seu parto ideal, bem tranquilo, bem confortável e com muitos pormenores positivos. Vai ver que ajuda, e muito!
7- Mime-se muito
O parto necessita de uma hormona chamada Ocitocina que é vulgarmente chamada de hormona do prazer ou do amor. Assim, no final da gravidez mime-se e ofereça-se tudo o que lhe dá prazer. Desfrute de comidas de que gosta, veja filmes e ouça música agradáveis. Muitos momentos de relaxamento e romance, massagens… Recorde-se que ao sentir prazer estará a produzir Ocitocina, a hormona responsável pelo bom desenvolvimento e conforto do parto.
Hypnobirthing em destaque nana revista Crescer- Especial Gravidez de dezembro de 2019
Desde que Megan Markle disse que fazia Hypnobirthing, seguindo os passos da cunhada e de tantas outras figuras públicas, o método tem vindo a ganhar mais visibilidade. Mas ainda há muito desconhecimento sobre esta filosofia que permite um nascimento mais rápido, fácil e harmonioso.
Hypnobirthing, ou Hipnoparto em português
O Hypnobirthing, ou Hipnoparto, é um método de preparação para o nascimento assente nas mais recentes evidências científicas que ajuda a dar à luz de forma fácil, confortável e harmoniosa. Estar calma, tranquila e ter profundo conhecimento do seu corpo é essencial para deixar fluir todo o processo de nascimento pois a Ocitocina, a hormona responsável pelo parto, produz-se com níveis muito baixos stress. Assim, conhecer o seu corpo, saber relaxar e libertar todos os medos e tensões ajuda a reduzir o desconforto do período de nascimento. O Hypnobirthing trabalha as emoções e a mente da mãe, substituindo os seus medos por segurança e confiança na sua capacidade de dar à luz deixando assim o seu corpo trabalhar em completa harmonia com o bebé.
Parto mais confortável
Está demonstrado que a mãe que fez Hypnobirthing frequentemente sente menos dor, tem menos necessidade de intervenção médica, tem menor tempo de trabalho e menos necessidade de ajuda instrumental e farmacológica no nascimento. O pai ou companheiro de nascimento também tem uma preparação para estar confiante e saber exatamente o que fazer durante toda a gravidez e no parto da sua companheira sendo inclusive um dos principais fatores de sucesso do método. Com a ajuda do Hypnobirthing, mãe, bebé e pai e trabalham em conjunto para que o nascimento seja uma experiência positiva, harmoniosa e inesquecível.
Crenças enraizadas de Parto com dor
Comecemos pelo princípio: quando se pensa na palavra “parto”, qual a primeira imagem que vem à mente?
Na maioria das vezes, é a imagem de uma mulher, no hospital, a gritar de dor junto de um companheiro à beira de um ataque de nervos. Este é o cenário que tem sido construído pela sociedade moderna ao longo dos anos. É desta forma que os partos são retratados e é a imagem que permanece na mente de muitas pessoas.
Tudo começa quando, desde pequenina, a mulher ouve falar das dores de parto, das horas de sofrimento e da dificuldade que é dar à luz. Todas estas crenças vão ficando enraizadas na sua mente, sendo reforçadas pelos filmes e relatos de vivências de mulheres que conhece.
Quando engravida, parece que a situação piora, pois o seu estado leva a que muitas mães, na maior inocência, partilhem com ela as suas experiências que nem sempre são as mais favoráveis. Tudo isto ajuda a intensificar um cenário de ansiedade e a mente da grávida vai ficando cada vez mais cheia de inputs negativos. Quanto mais vai avançando a gravidez, mais essas crenças e ideias vão intensificando o seu medo e mais nervosa ela se sente e até as grávidas mais descontraídas começam a ficar ansiosas quando se aproxima o final do tempo.
Tal como foi demonstrado pelo obstetra inglês Grantly Dick-Read, o primeiro a debruçar-se sobre este tema, o tempo e as dores do parto aumentam pelo medo e tensão da mãe. Segundo ele, a tensão e o medo criam uma situação que é interpretada como sendo de perigo. Não podendo fugir, origina uma tensão protetora que dificulta a coordenação da contração muscular e a produção da Ocitocina, a hormona responsável pelo nascimento. A dor aumenta a tensão e assim se cria um ciclo vicioso: Medo – Tensão – Dor.
Quanto mais medo tem, mais tensa fica a mulher e mais dor sente. Quanto mais dor sente, mais medo tem e assim se instala o ciclo.
Ao explicar o mecanismo nervoso pelo qual o medo causa a dor da contração uterina, Read sintetizou seu conceito como “Mulher tensa = colo tenso – Mulher em relaxamento = colo dilatável”. O obstetra publicou no seu trabalho “Childbirth without Fear” que a confiança, compreensão e ausência de medo são fatores essenciais para um parto confortável. Este livro serve de base para o Hypnobirthing, que foi posteriormente desenvolvido para preparar as grávidas para um nascimento tranquilo, sem medos ou ansiedade.
Através de sessões de relaxamento profundo, a mulher aprende a confiar no processo natural do nascimento e prepara-se para saber colaborar com o seu corpo e com o seu bebé.
Relaxamento profundo para “reprogramar” a mente da mãe.
Técnicas que incluem visualização e afirmações positivas em relaxamento profundo ajudam-na a estar calma durante o período de nascimento. Resumidamente, a futura mãe começa, desde cedo, a preparar-se para permitir que seu corpo sábio faça o que sabe para dar à luz em harmonia e sem medos.
Basicamente, o Hypnobirthing utiliza um estado de relaxamento profundo para “reprogramar” a mente da mãe. Ajuda-a a confiar no seu corpo maravilhoso que foi concebido para dar à luz em total segurança. Como o de qualquer mamífero, o corpo da mulher está completamente preparado para esse efeito, basta deixá-lo trabalhar num entorno favorável e com tranquilidade.
Em termos práticos, como se processa?
Existem várias formas de trabalhar. No meu caso, sou hipnoterapeuta, com formação em Hypnobirthing, e faço workshops e sessões individuais.
Os workshops servem de introdução ao Hypnobirthing e são, normalmente, complementados por sessões presenciais ou online.
Dentro das sessões presenciais, o serviço mais procurado é o “Programa Completo de Hypnobirthing” que é composto por 4 sessões+ 1 sessão de oferta para o parceiro de nascimento.
Nas sessões trabalho tenho uma abordagem única com cada paciente. Não posso ter uma atuação com uma mãe com grau de ansiedade 5/10 igual à que tenho com uma mãe com grau de ansiedade 9/10. Cada pessoa é diferente da outra. Umas são mães de primeira viagem e outras já trazem experiências de nascimento anteriores.
Tudo isto deve ser tido em conta no trabalho com a grávida e, por isso, a primeira sessão requer uma conversa prévia na qual todo o processo é explicado e todos estes pontos são debatidos. Esta sessão demora cerca de 2h e só depois da conversa inicial é que começamos o trabalho de relaxamento hipnótico, adaptado a cada situação.
Hipnoterapia para remover crenças limitantes
A situação ideal é fazer uma sessão logo no início da gravidez para dissociar a recém-grávida da programação inconsciente do parto doloroso que persiste na sociedade moderna. A conversa inicial é, normalmente, em conjunto com o companheiro de nascimento para que o casal entenda o conceito e comece a trabalhar. Depois de aferir o estado da mãe, segue-se o trabalho de hipnoterapia para remover crenças limitantes, dissociar programação inconsciente e bloquear medos e inputs negativos que irá receber ao longo da sua gravidez.
Esta primeira sessão é muito importante para “reprogramar” a mente da mãe com conhecimentos, pensamentos e sentimentos positivos sobre a gravidez e o nascimento. Logo desde a primeira sessão, a gravida leva material de auto-hipnose para trabalhar em casa.
Alguns parceiros de nascimento fazem também uma sessão presencial se assim o entenderem, pois muitos têm tanto ou mais medo do que a própria mãe, o que é perfeitamente natural. É uma sessão que ofereço em todos os programas de acompanhamento que faço porque é fundamental o papel do pai ou acompanhante, sendo mesmo um dos principais fatores de sucesso do método. A maioria dos parceiros já tem consciência da importância do seu papel no momento do nascimento e trabalhamos em conjunto para que estejam preparados para qualquer circunstância.
Dar continuidade até ao parto
O processo de Hypnobirthing não termina no final da sessão e é imprescindível dar continuidade com exercícios de auto-hipnose para que a mãe aprenda a trabalhar com a parte mais poderosa do seu corpo: a sua mente maravilhosa.
A mãe deve fazer o seu “trabalho de casa” regularmente porque o sugestionamento precisa de ser reforçado com regularidade. Após a primeira sessão, a mãe vai fazendo os seus exercícios e volta pelas 30/32 semanas para uma nova sessão, continuando com novos “trabalhos de casa”. Finalmente, entre as 34 e 40 semanas, o ideal é fazer mais uma ou duas sessões totalmente direcionadas para o nascimento, sempre continuando a fazer os exercícios em casa.
Esta é a situação ideal, mas, por vezes, as grávidas já estão no fim do tempo quando descobrem ou se decidem a fazer Hypnobirthing. Nesse caso, adapto uma sessão única à realidade de cada uma, o que por si só já ajuda muito, mas sempre complementada com um passo a passo e exercícios de treino para realizar até ao nascimento.
Um trabalho conjunto e complementar
É muito importante esclarecer que o Hypnobirthing é um método com resultados fantásticos mas que implica trabalho e dedicação.
Algumas mamãs esperam um milagre com uma única sessão, mas este não é um método milagroso. Desenganem-se as que acham que irão “ficar a dormir” enquanto a sua mente é reprogramada como que por magia.
Não é nada assim…
O Hypnobirthing usa a hipnose Ericksoniana, uma hipnose conversacional na qual a pessoa está profundamente relaxada e altamente focada. Neste estado de relaxamento profundo, muito parecido com uma meditação, a mãe ouve, responde e participa em todo o processo. Com efeito, é ela que constrói as ferramentas que a ajudarão durante a gravidez e no nascimento.
Quem procura o Hypnobirthing para ter um parto totalmente indolor poderá sentir-se frustrado e é importante esclarecer este ponto. Há mesmo quem acredite que o Hypnobirthing é uma forma de “não ter dor nenhuma sem recorrer à epidural”. Também não é bem assim…
Não há milagres
Sabemos que o tempo e as dores aumentam pelo medo e tensão da mãe. O Hypnobirthing trabalha essa componente emocional para que fique completamente relaxada e tranquila, evitando qualquer tensão que possa prejudicar o trabalho de nascimento. Por si só, é um processo que reduz drasticamente as probabilidades de dor, mas seria incorreto prometer um nascimento sem absolutamente nenhum tipo de incómodo.
Este é um processo de transformação do corpo da mulher que provoca sensações desconhecidas que podem trazer algum desconforto associado. No entanto, relembro que a conexão que o Hypnobirthing promove entre a mãe e o seu bebé ajuda muito neste processo e torna a experiência bem mais poderosa e agradável.
O Hypnobirthing não substitui outros acompanhamentos de saúde materna
É importante esclarecer que o Hypnobirthing não substitui qualquer outro acompanhamento de saúde materna. Cada interveniente tem o seu papel na aprendizagem e preparação da grávida e o Hypnobirthing é um trabalho complementar a todos os outros. No Algarve, por exemplo, trabalho em parceria com o centro de preparação para o parto Pronto a Nascer, em Portimão, para que as mães cheguem ao nascimento emocionalmente preparadas através do Hypnobirthing.
Neste processo, cada um tem o seu papel. Durante os cursos de preparação para o nascimento, a Carla Duarte, enfermeira parteira especialista em saúde materna, trabalha a sua área e eu asseguro o Hypnobirthing. A minha função complementa-se com a experiência de uma profissional de saúde materna, ficando a meu cargo o trabalho emocional com a grávida. É uma parceria recente e um bom exemplo de como complementar valências e saberes tão diferentes para otimizar resultados.
Os profissionais de saúde que fazem partos sabem que não se compara a experiência de uma mãe com medo com a de uma mãe tranquila. Foi esta compreensão que levou à realização da parceria para facilitar todo o percurso da grávida e promover um nascimento mais tranquilo. Gostaria inclusive de replicar a fórmula com mais um ou dois centros em Lisboa pois os resultados são benéficos para todos, principalmente para as mães.
Em estreita colaboração, cada profissional atua na sua área de intervenção e estamos, inclusive, a desenvolver conteúdos para estender a parceria para o pós-nascimento, que é uma fase importantíssima na vida de toda a família.
Cuidar da mãe
Acredito firmemente que, quando nasce um bebé, nasce uma nova mãe família. Este período requer toda a dedicação e acompanhamento. Contudo, na minha opinião, em Portugal, ainda não há a tradição de cuidar da nova mãe que acabou de dar à luz como existe noutras culturas onde é honrada, nutrida e acarinhada. É um período de recolhimento para recuperar física e energeticamente e, só após a completa recuperação, volta aos seus afazeres habituais. São tradições diferentes da nossa e com as quais me identifico.
Atualmente, há uma pressão social muito grande sobre as mães para que tratem do bebé, recuperem fisicamente e voltem rapidamente à “vida normal”. Esta recuperação acelerada deixa muitas vezes marcas emocionais que se manifestam mais tarde. A meu ver, é urgente alterar este comportamento e importante prevenir e tratar algum desajuste emocional resultante deste período. Assim, evitam-se repercussões na vida da mãe e da família. É um trabalho que estou a desenvolver, direcionado para o acompanhamento das novas mães no período de pós-nascimento.
Um nascimento consciente e inesquecível
O Hypnobirthing trabalha também outra vertente muito importante e pouco falada: ajuda a mãe a recuperar o seu poder pessoal num nascimento humanizado.
Há mães que se apresentam com um grau de ansiedade aparentemente baixo e, com o decorrer da conversa inicial, verifica-se que existe um medo não assumido. Assim, quando exploro a razão, normalmente prende-se com um certo incómodo ou até alguma vergonha de sentir esse medo. Encontramos aqui outra crença, a de que a grávida tem de estar disposta a sofrer muito pelo seu bebé. É quase como se houvesse uma relação direta entre o grau de sofrimento da mãe e o grau de amor que tem pelo filho.
“Dor parida é dor esquecida”
Por exemplo, há mães que passaram por bastante desconforto físico para ter o seu primeiro filho de parto natural. Acima de tudo estão profundamente orgulhosas de o ter tido desta forma, sem recorrer a ajuda química.
As expressões como “Doeu muito, mas já nem me lembro porque valeu a pena” ou o velho provérbio “Dor parida é dor esquecida” reforçam um suposto esquecimento do sofrimento. No entanto, muitas destas mulheres estão, obviamente, apavoradas com o que as espera no segundo filho. Vivem sentimentos contraditórios porque não querem passar pelo mesmo, mas também têm algum pudor ou vergonha de pedir ajuda.
Nestes casos, trabalham-se os medos e ansiedades naturais do parto, mas também o “empoderamento” da mulher. É fundamental que ela possa tomar as suas decisões, de acordo com a sua sabedoria interna, sem se preocupar com opiniões de terceiros. A sua intuição, juntamente com o seu corpo sábio saberão o que decidir se ela não estiver limitada por ideias pré-concebidas, desconhecimento ou medo de julgamentos. Ao longo das sessões, entende que o processo de dar à luz é perfeitamente natural e não tem de ter experiência de dor associada. Tendo esse conhecimento, ela resgata o seu poder de decisão e escolhe o melhor.
Um parto não é uma demonstração de capacidade de sofrimento mas sim uma experiência tranquila e de total plenitude.
Recuperar o poder da mulher
Um parto não é uma demonstração de capacidade de sofrimento. Deve ser, antes de mais, uma experiência tranquila e de total plenitude. É um nascimento informado, sem obrigações e sem medos. Se a grávida achar que deve mudar de ideias e aceitar alguma ajuda que não tinha previsto, é uma decisão que tomará em consciência, sabendo o que é melhor para ela e para o seu bebé.
Por exemplo, há mães que se preparam para um nascimento natural e, em determinada altura, mudam de ideias porque percebem que precisam de ajuda farmacológica. Fazem-no em consciência, escolhendo o melhor para elas e para o bebé. Em contrapartida, há o exemplo oposto, as mães que se preparavam para recorrer a ajuda química e ficaram agradavelmente surpreendidas com a facilidade e naturalidade com que decorreu o nascimento sem qualquer necessidade de ajuda.
É este poder que a mulher recupera no Hypnobirthing. Resgata a confiança em seguir os seus instintos e sabedoria interna, totalmente em paz consigo própria, sem questionar a sua capacidade inata de dar á luz.
Nascimento cada vez mais humanizado
Outro esclarecimento importante: o Hypnobirthing está muitas vezes associado ao parto natural ou a nascimentos em casa, o que não é verdade. Uma das premissas do método é preparar a mãe e companheiro para qualquer tipo de nascimento. E pode ser no hospital ou em casa, na água ou na cama, natural com ou sem ajuda analgésica, com ou sem intervenção cirúrgica…
O importante é que seja um nascimento humanizado onde a mulher é respeitada, sem intervenções desnecessárias e não consentidas.
Esta é inclusive uma recomendação da Organização Mundial da Saúde que reconhece que cada trabalho de parto é único e varia de uma mulher para outra. Na nova recomendação sobre nascimentos e partos, emitida no dia 15 de fevereiro de 2018, a OMS vem pôr em causa orientações que foram adotadas durante décadas. O novo documento inclui o direito a ter um acompanhante à sua escolha durante o trabalho de parto. Respeita as opções e tomada de decisão da mulher na gestão da sua dor e nas posições escolhidas. E ainda o respeito pelo seu desejo de um parto totalmente natural, até na fase de expulsão. A própria OMS reconhece que “muitas mulheres preferem um nascimento natural e confiam nos seus corpos para dar à luz o seu bebé sem intervenção médica desnecessária.”
Felizmente, o cenário está a mudar e a caminhar para nascimentos cada vez mais menos medicalizados e mais humanizados.
Cada pessoa é única, cada caso é único. O importante é que todas as mulheres e companheiros, sem exceção, tenham uma experiência de nascimento humanizada, bela e de total plenitude.
Este é um momento único e mágico com um universo inteiro de sentimentos e emoções que ficarão para sempre na memória da família.
A Ocitocina é a estrela do parto e é, vulgarmente, chamada de “hormona do amor” ou “hormona do prazer” e por isso, é a hormona imprescindível para um parto mais agradável.
O nosso corpo é tão fantástico que nos dotou da capacidade de libertar Ocitocina durante o nascimento. Esta hormona é responsável pelas ondas uterinas, tornando-as mais eficientes.
Produz-se quando está relaxada e a fazer algo que lhe dá prazer. E no parto, queremos muita Ocitocina pois é imprescindível para um parto confortável !
É, inclusive, a altura em que a mulher tem os níveis de Ocitocina mais elevados da sua vida inteira.
Como curiosidade, Ocitocina vem do grego Oci (rápido) e tókos (parto) e é a hormona responsável pelas ondas uterinas, tornando-as mais eficientes. E, ao mesmo tempo, ajuda a reduzir o sangramento durante o parto, a estimular a libertação do leite materno e desenvolver o apego.
A hormona do amor ou do prazer
Além do parto, libertamos Ocitocina em todos os momentos agradáveis ao longo da vida. Por exemplo, quando nos apaixonamos, fazemos amor, quando acariciamos um animal de estimação, vemos um filme cómico ou sempre que sentimos prazer e estamos relaxados e tranquilos.
No momento do nascimento produz-se um verdadeiro cocktail de hormonas de felicidade e de calma. E são estas que ajudam a mulher a passar por este período com mais conforto.
No entanto, é bom saber que a produção de Ocitocina precisa de tranquilidade e privacidade, deixando trabalhar a sua parte instintiva (parte animal) e silenciando a sua parte racional.
E como pode ajudar a produção de Ocitocina?
– Sentindo-se segura – Estando tranquila e desinibida – Sentindo-se com a intimidade resguardada – Fazendo atividades que lhe dão prazer como namorar, massagens, banho, ver um filme de que gosta, ouvir música que lhe agrade, comer algo que aprecie…
Resumindo, sentindo-se tranquila e feliz, desfrutando do prazer de fazer o que gosta com quem gosta.
O nosso corpo é tão fantástico que nos dotou da capacidade de libertar Ocitocina durante o nascimento. Esta hormona é responsável pelas ondas uterinas, tornando-as mais eficientes.
Um verdadeiro cocktail de hormonas
Assim, no momento do nascimento produz-se um verdadeiro cocktail de hormonas de felicidade e de calma, que ajudam a mulher a passar por este período sem sofrimento. É, inclusive, a altura em que a mulher tem os níveis de Ocitocina mais elevados da sua vida inteira.
Esqueça tudo o que ouviu até agora sobre o parto e pense comigo. Se a Oxitocina é a hormona responsável pelo parto e é esta hormona que nos dá a sensação de bem-estar e de prazer, que lógica tem um intenso sofrimento durante o nascimento?
O nascimento não foi desenhado para trazer sofrimento, senão não dependeria da hormona do prazer. Não é lógico nem tem qualquer sentido fisiológico. Pense nisso e lembre-se deste pensamento durante toda a gravidez e parto.
É lógico que o corpo está em transformação e isso implica algum desconforto e sensações desconhecidas e muito potentes. No entanto, quando tudo funciona sem interferências, as mulheres que fizeram Hypnobirthing descrevem esta fase como muito poderosa e não como dolorosa.
Creio que nesta altura já entendeu a importância de se manter calma, resguardada e protegida, principalmente nesta altura de incerteza. Assim sendo, deverá concentrar todos os seus esforços em manter este estado para potenciar a produção de Ocitocina.
Maria Ribeiro Fundadora do Parto se Medos- Hypnobirthing7- Programa de acompanhamento online com Hypnobirthing. Mais publicações no website , no Facebook e Instagram
Uma gravidez positiva é essencial e as palavras têm um poder muito grande. Eduque a sua mente para garantir uma gravidez positiva, logo desde as primeiras semanas.
“Uma imagem vale por mil palavras” Rodeie-se de imagens e mensagens positivas
Assim, sempre que possível, rodeie-se de imagens e mensagens positivas à sua volta. Utilize pequenos apontamentos que lhe lembrem que tudo está bem e que o seu corpo é o lugar perfeito para o seu bebé.
Estas afirmações acompanham a sua gravidez e são uma ajuda para algum tema que lhe interesse. Por exemplo, se o seu bebé ainda não está na posição mais usual, faça uma afirmação com a seguinte frase: “O meu bebé está na posição perfeita para o nascimento” e afixe-a num sítio bem visível.
Outro exemplo: se tem receio que o bebé nasça prematuro, imprima a afirmação correspondente ou desenhe a sua afirmação com a frase: “O meu bebé está protegido e sabe qual a altura perfeita para nascer.”
Pode imprimir algumas destas afirmações ou personalizá-las de acordo com as suas expectativas. Ou então, desenhe-as em cartões bonitos e coloque-os em sítios visíveis no dia-a-dia.
Gosto, particularmente, da afirmação: “É só um minuto, eu consigo”, que aconselho a levar para o hospital e a colocar num sítio bem visível.
Sempre que as vê, lembre-se de respirar fundo, inspirando calma e tranquilidade e expirando as eventuais tensões.
O medo do parto, a Tocofobia, é muito mais de que um simples medo. É um distúrbio que afeta 14% das mulheres e foi formalmente reconhecido em 2000. Trata-se de uma fobia real e séria, que transtorna as mulheres e é ainda desconhecida e desvalorizada, inclusive por outras mães.
Perceciona a gravidez como uma ameaça
De acordo com um estudo no Industrial Psychiatry Journal publicado em 2000, a Tocofobia pode afetar tanto mulheres que nunca estiveram grávidas como mulheres que já passaram por um parto traumático anteriormente. E também a depressão pré-natal, abortos espontâneos e outros problemas obstétricos também podem desencadear a Tocofobia.
Aparece como um dos principais fatores de desenvolvimento de perturbações psicológicas na grávida e mostra uma tendência no aumento dos sintomas ao longo da gravidez.
Neste processo, a grávida percepciona a gravidez como uma fase de ameaça. Na sua interpretação, o parto é o ponto alto da ameaça e o pós-parto a fase de recuperação.
Kate, um grávida entrevistada a este respeito no programa de televisão “Call the Misdwife”, aceitou ajuda. Recorda-se de que sempre teve aversão à gravidez, assim como acontece muitas mulheres com Tocofobia. “Quando eu vi o teste de gravidez positivo, uma parte de mim estava feliz mas a outra ficou aterrorizada. Para ser honesta, o pânico dominou-me quase instantaneamente” afirmou Kate.
“Tocòs = parto” e “Fobos = medo” –
E foi piorando com o decorrer da gravidez, sempre com muita ansiedade e muitos medos. “Quanto mais avançava, menos acreditava que conseguia fazer sair o bebé de dentro de mim. Nem conseguia imaginar, chegava mesmo a pensar e a sonhar que íamos morrer as duas no parto” lembra Kate. Recorda-se que, numa consulta pré-natal , logo às 16 semanas pediu para fazer uma Cesariana pois nem concebia a ideia de um parto vaginal. Acreditava que não conseguiria passar por isso. Morria de medo só de pensar em hospitais, de pessoas a tocarem-na, de sangue, agulhas…
Após perceber que tinha Tocofobia, fez terapia cognitivo-comportamental e aprendeu a lidar com o distúrbio. À luz da sua realidade, optou por fazer uma cesariana porque o medo era extremo e acredita que foi a melhor decisão que tomou.
Sintomas da Tocofobia
– Pesadelos recorrentes
– Hiperventilação
– Suores e tremores
– Ataques de pânico e ansiedade
– Choro frequente e recorrente
– Náuseas e vómitos
– Pensamentos sobre a morte
2 tipos de Tocofobia
-Tocofobia primária: precede a gravidez e pode atrasar ou evitar a sua decisão de ter filhos.
-Tocofobia secundária: a partir de uma experiência de parto traumática.
Um dos maiores problemas da Tocofobia é o estigma
Todos esperam que esteja muito feliz quando está grávida, a planear um parto fantástico com velas e aromaterapia. Espera-se uma grávida com um brilho especial num período maravilhoso da vida dela. Mas há quem não sinta nada disto. A mãe com Tocofobia sente-se um fracasso. “Eu não me sentia capaz nem quis fazer nenhum dos rituais habituais da gravidez. Foi um problema porque as pessoas não conseguiam compreender porque não andava nas nuvens como era suposto” afirma Kate.
O seu conselho para outras mulheres com Tocofobia: “Conversem com alguém, seja médico ou terapeuta, mas falem! As piores 17 semanas da minha vida foram as semanas antes de ter ajuda. Após falar da situação, senti um grande alívio. Finalmente havia uma explicação e alguém que me entendia em vez de me sentir como uma louca” reforçou.
De acordo com esta perspectiva, quanto mais informação tem, mais capaz se sente a grávida em buscar ajuda e tomar decisões ajustadas ás suas necessidades. O conhecimento traz-lhe a confiança de poder escolher a melhor opção para o seu caso pessoal.
A confiança ajudam-na a lidar com o estigma e desvalorização da Tocofobia e a estar segura nas suas escolhas.
Muitas mães ficam ansiosas quando o bebé se apresenta pélvico (sentado) ou de pés/joelhos/ para baixo. Saiba como ajudar quando o bebé está pélvico
Tal como dizia Mary Cronk “ é uma posição pouco usual mas normal” e menos de 4% dos bebés estão nesta posição no final da gravidez.
Antes de mais há que esclarecer que os bebés mudam de posição até quase ao final da gravidez. Por exemplo, com 30 semanas, o bebé não esta pélvico! Isto porque, simplesmente, ainda não está posicionado para nascer.
Cesariana
Até muito recentemente, um bebé pélvico ou de pés era logo encaminhado para cesariana. No entanto, ultimamente, já se fazem partos vaginais com esta posição. É, no entanto, importante ouvir as recomendações do médico que a assiste e ponderar todas as hipóteses.
Parto vaginal com um bebé pélvico- Foto: O nascer de uma mãe
“Hands off”
Uma das posições mais “temidas” é quando o bebé se apresenta de pés. O estudo de Lowen et Al publicado no Internacional Journal of Gynaecology and Obstetrics em 2017 demonstra que “os partos de pés são aconselhados a ser feitos em posição vertical”e, na maioria das vezes fazem-se “hands off”, sem manobras manuais. Como curiosidade, pode ver aqui um filme de um parto vaginal com esta posição, que é bastante diferente dos habituais. Se não gosta de imagens explícitas, não visualize o vídeo.
Dica:
Quando o bebé está pélvico tente outros meios tais como a Hipnoterapia. É um método que apresenta resultados muito interessantes. Pode também falar carinhosamente com o seu bebé, explicando-lhe e fazendo círculos na barriga para lhe “mostrar” o caminho.
E se está com um sorriso de descrédito? Acredite que há muitos casos de sucesso com este método, e eu própria já acompanhei alguns.
Há um site interessante que só trata deste assunto e pode ser um recurso para quem tem o bebé nesta posição: www.spinningbabies.com
Confie no seu bebé
Chamo a atenção para o facto de que, muitas vezes, quando o bebé não se vira, poderá precisar de estar nesta posição. Algo anatómico ou por alguma razão que só ele conhece. Tal como nós, o seu instinto de sobrevivência já sabe o que fazer, confie no seu bebé porque ele sabe o que é melhor para ele!
Afixe esta imagem num sítio que veja várias vezes ao dia.
E agora que entende como os seus pensamentos a afetam, a si e ao seu bebé, vamos usar esta informação para ajudar.
Visualize!
Seguindo esta premissa, aconselho-a a escolher uma imagem que lhe agrade do bebé na posição de nascimento mais usual. Como a que está em anexo, por exemplo. Coloque-a num sítio bem visível onde a veja várias vezes ao dia. No frigorífico por exemplo, ou no espelho pois, sempre que olhar para esta imagem, estará a dar indicações ao seu corpo e ao seu bebé.
E vá falando e explicando ao seu bebé, que está tudo bem e que está preparada para o receber.